A Força que vem da Maré: Centro de Cidadania LGBTQIA+ e a história de Gilmara Cunha

Moradora do complexo da Maré, é Fundadora do Grupo Conexão G, com mais de 15 anos trabalhando como ativista da população LGBTQIA, ingressou na militância em 1999, sempre pensando “a população LGBTIQIA+ favelada e como ela pode vencer as desigualdades e dificuldades, buscando um país mais inclusivo e democrático”. Gilmara Cunha, além de ser uma mulher forte, determinada e muito divertida, é estudante de Psicologia, tem 37 anos e foi a primeira mulher trans condecorada com a maior honraria da Assembleia legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que é a Medalha Tiradentes.

O que é o Centro de Cidadania LGBTQIA+ da Maré – “Pioneiro na América Latina dentro de uma comunidade”

O centro de Cidadania LGBTQIA Capital III – na Maré foi inaugurado em setembro do ano passado, porém, a relevância desse centro permanece constante. Inaugurado através de Parcerias com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH), o centro vem a ser pioneiro em uma comunidade na América Latina, no caso, o complexo da Maré.

O que o centro faz? Qual a importância dele? – “Centro de Referência e Resistência”

Esse novo centro vem especializado e preparado para proporcionar atendimento psicossocial e atendimento jurídico das demandas que assim chegarem, oferece ainda cursos de informática e, aliado a isso, o espaço tem mais funções: como acolher, informar e até mobilizar as pessoas que ali chegam, além de ser um serviço de promoção de políticas públicas para a população LGBTQIA+, que tem como missão, para além das já descritas, o enfrentamento da LGBTIfobia e  garantia de cidadania ao segmento LGBTQIA+

Segundo pesquisa da organização de mídia Gênero e Número, com o apoio da Fundação Ford e divulgada pela Fundação Fundo Brasil em 2018, 51% das pessoas LGBTQIA+ relataram ter sofrido algum tipo de violência motivada pela sua orientação sexual ou identidade de gênero. Entre as violências, 94% foram verbais e outras 13% físicas. Os centros nascem para enfrentarem essa situação de LGBTfobia que pessoas sofrem todos os dias.

De acordo com a Transgender Europe (2022), o Brasil ainda se encontra no primeiro lugar do ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, esse posto vem sendo ocupado pelo Brasil desde 2008, ficando também em primeiro lugar pelo décimo terceiro ano consecutivo . Esse dado vem ao encontro com os estudos realizados pelo Grupo Gay da Bahia, o qual evidencia que no binômio 2020-2021, foram assassinadas 444 pessoas LGBTQIA  notificadas, colocando o Brasil  em primeiro lugar no topo de assassinatos desse segmento. Cabe evidenciar ainda que apesar de os assassinatos para outros os segmentos LGBQIA terem diminuído, para as pessoas trans ele aumentou na pandemia do Covid-19 conforme o “Dossiê sobre assassinatos de transexuais e travestis brasileiras” da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), revelando que somente em 2021,  140 pessoas trans foram assassinadas e que se comparadas as mortes notificadas desde 2008, houve um aumento de 141%.

Esta realidade desigual, preconceituosa e cruel, motivou a moradora e ativista da Maré, Gilmara Cunha, a trabalhar pela fundação do primeiro Centro de Promoção de Cidadania LGBT dentro de uma favela, mais especificamente no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, o qual também leva seu nome (como uma homenagem) e como ela mesma ressalta: “As travestis têm que ser homenageadas em vida como uma forma de reparação histórica”.

Gilmara ainda ressalta que todos os financiadores tiveram participação nessa conquista, principalmente os que estão junto ao Conexão G, e aí está o Fundo Positivo, que fomenta através dos editais e recursos a continuidade desse trabalho, isso corrobora com os resultados desse trabalho. A parceria do Fundo Positivo, segundo ela, esteve presente em dois momentos na questão primeiramente do advocacy e na incidência política e num segundo momento quando incidiu diretamente na vida daqueles e daquelas que diretamente foram beneficiadas pelo projeto, inclusive na questão da segurança alimentar.

Projeto cozinha trans e como o Financiamento do Fundo Positivo está ajudando? – “Não apenas se cozinha, se politiza também!”

 Com o grupo Conexão G de favelas, Gilmara tem um potente e importante projeto na Maré, Intitulado “Cozinha Trans”, o qual oferece cursos de geração de renda, empregabilidade, empreendedorismo e autocuidado para pessoas trans das favelas, possibilitando inclusive a inserção dessas pessoas no mercado formal de trabalho. O “Cozinha trans não é só botar as pessoas trans para cozinhar, ali tem uma formação política, uma formação de empoderamento desses corpos” como ressalta Gilmara. Além do curso de cozinha haverá ainda uma feira onde várias empresas serão convidadas para ver o trabalho do grupo e formar parcerias.

O projeto recebe financiamento do Fundo Positivo e a Coordenadora ressalta que o apoio do Fundo Positivo não foi apenas neste momento, mas que o Fundo participa na construção histórica desses resultados que vem sendo construídos. “Esse Fundo não é apenas um que se diz diverso e que coloca a pessoa como cota, ele dá oportunidades às pessoas”.

O tempero da “Cozinha Trans” foi tão bom que foram convidadas para estar em um jantar beneficente no Copacabana Palace O jantar contou a presença de Melissa Cohen, nora do presidente dos EUA, Joe Biden, Narcisa Tamborindeguy a ex-BBB e influencer digital Rafa Kaliman. “Elas passavam só por fora do espaço, no máximo na porta, mas agora elas puderem estar dentro e como convidadas”

Conheça um pouco mais do trabalho de Gilmara e do Conexão G no instagram!


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