{"id":1957,"date":"2021-08-18T20:19:43","date_gmt":"2021-08-18T23:19:43","guid":{"rendered":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/?p=1957"},"modified":"2021-08-18T20:19:43","modified_gmt":"2021-08-18T23:19:43","slug":"tecnica-que-combina-fototerapia-e-imunoterapia-pode-combater-virus-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/noticias\/tecnica-que-combina-fototerapia-e-imunoterapia-pode-combater-virus-hiv\/1957\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnica que combina fototerapia e imunoterapia pode combater v\u00edrus HIV"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"653\" height=\"654\" src=\"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Capafoto-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1963\" srcset=\"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Capafoto-1.jpg 653w, https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Capafoto-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Capafoto-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Capafoto-1-75x75.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Testes em laborat\u00f3rio realizados em pesquisa do Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos (IFSC) da USP indicam bons resultados de uma t\u00e9cnica que combina fototerapia e imunoterapia \u2013 a fotoimunoterapia (FIT) \u2013 para combater o HIV, o v\u00edrus da Aids. Os pesquisadores desenvolveram um anticorpo com mol\u00e9culas sens\u00edveis \u00e0 luz, capaz de se ligar ao v\u00edrus e a c\u00e9lulas infectadas pelo HIV presentes no sangue, destruindo-as por meio de uma ilumina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Novos estudos ser\u00e3o necess\u00e1rios para permitir o uso da t\u00e9cnica em seres humanos, como um complemento aos medicamentos retrovirais no combate \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>A terapia \u00e9 descrita em&nbsp;<a href=\"https:\/\/pubs.acs.org\/doi\/10.1021\/acsomega.1c01721\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo<\/a>&nbsp;publicado no site da revista cient\u00edfica&nbsp;<em>ACS Omega<\/em>. \u201cNessa pesquisa, abordamos dois aspectos importantes quando consideramos uma terapia eficaz para o combate ao v\u00edrus, as c\u00e9lulas de defesa infectadas pelo HIV ainda persistem por d\u00e9cadas em pacientes que recebem terapia antirretroviral e o aumento alarmante de v\u00edrus HIV resistente aos medicamentos\u201d, afirma o professor Francisco Eduardo Gontijo Guimar\u00e3es, coordenador da pesquisa. \u201cPropomos nesse estudo a aplica\u00e7\u00e3o da FIT, n\u00e3o apenas contra as c\u00e9lulas de defesa que, quando infectadas, expressam as prote\u00ednas do envelope do HIV em suas membranas, mas tamb\u00e9m contra o pr\u00f3prio HIV circulante no sangue.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A FIT combina terapia fotodin\u00e2mica e imunoterapia, direcionada a prote\u00ednas do envelope do HIV. \u201cUsamos diferentes estrat\u00e9gias terap\u00eauticas para alvejar e eliminar c\u00e9lulas infectadas e o pr\u00f3prio HIV usando fotossensibilizadores ligados a anticorpos que t\u00eam a capacidade de se ligarem a prote\u00ednas virais espec\u00edficas, ou seja, os anticorpos \u2018armados\u2019 com mol\u00e9culas fotossensibilizadoras se ligar\u00e3o apenas ao alvo preestabelecido nas membranas de c\u00e9lulas doentes e nas prote\u00ednas do envelope do v\u00edrus circulante\u201d, relata o professor. \u201cNessa situa\u00e7\u00e3o teremos condi\u00e7\u00e3o de eliminar apenas as c\u00e9lulas infectadas e o v\u00edrus atrav\u00e9s da ilumina\u00e7\u00e3o com luz de comprimento de onda espec\u00edfico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os anticorpos foram desenhados de forma estrat\u00e9gica para carregar fotossensibilizadores e agir apenas nas c\u00e9lulas-alvo infectadas pelo HIV e no pr\u00f3prio v\u00edrus circulante no sangue. \u201cAl\u00e9m disso, ao ligar o fotossensibilizador ao anticorpo, estamos resolvendo alguns problemas da terapia fotodin\u00e2mica, como a baixa especificidade, dosagem e instabilidade da mol\u00e9cula fotossensibilizadora em meio aquoso\u201d, destaca Guimar\u00e3es. \u201cEsta estrat\u00e9gia \u00e9 importante pelo fato de que, na maioria dos casos, os fotossensibilizadores mostram-se inst\u00e1veis em meio aquoso, o que inviabiliza muito o processo de terapia fotodin\u00e2mica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os testes com a FIT, realizados&nbsp;<em>in vitro<\/em>, usaram duas mol\u00e9culas fotossensibilizadoras. \u201cNa primeira estrat\u00e9gia, as mol\u00e9culas foram ligadas no interior do anticorpo para ficarem protegidas da a\u00e7\u00e3o ambiente\u201d, aponta o professor. \u201cNa segunda estrat\u00e9gia, as mol\u00e9culas foram ligadas na parte exterior do anticorpo para variarmos o \u2018carregamento\u2019 molecular em cada anticorpo, ou seja, controlamos o n\u00famero de mol\u00e9culas ligadas ao anticorpo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa mostra que anticorpos humanos contendo mol\u00e9culas fotossensibilizadoras ligadas em sua estrutura, chamados de fotoimunoconjugados (FIC), ao se ligarem na membrana celular, induzem \u00e0 morte das c\u00e9lulas doentes devido a danos f\u00edsicos \u00e0 membrana por oxig\u00eanio singleto (uma forma mais reativa de oxig\u00eanio), que \u00e9 independente do tipo de fotossensibilizador utilizado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cObservamos que os anticorpos com mol\u00e9culas fotossensibilizadoras pode destruir as cepas virais, provavelmente via dano f\u00edsico no envelope do HIV\u201d, ressalta Guimar\u00e3es. \u201cDesse modo, n\u00f3s demonstramos uma terapia que pode ser usada como uma poss\u00edvel ferramenta auxiliar para a terapia antirretroviral, matando c\u00e9lulas que expressam HIV e HIV livre de c\u00e9lulas, respectivamente. A t\u00e9cnica \u00e9 potencialmente menos t\u00f3xica que os antirretrovirais e pode adicionar mais potencial ao controle ao HIV.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o professor, a terapia por antirretrovirais, em alguns casos, causa danos \u00e0 sa\u00fade humana em longo prazo devido \u00e0 toxicidade de drogas. \u201cAs mol\u00e9culas presentes nos anticorpos s\u00e3o seletivas e n\u00e3o s\u00e3o afetadas pela resist\u00eancia aos medicamentos usados atualmente\u201d, observa. \u201cSe a efic\u00e1cia for comprovada \u2018<em>in vivo<\/em>\u2018, a terapia associada ao tratamento por antirretrovirais pode reduzir a dose e o n\u00famero desses medicamentos antirretrovirais e diminuir a toxicidade desses medicamentos no longo prazo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Guimar\u00e3es, ainda existem problemas a serem solucionados para o uso da t\u00e9cnica em uma terapia contra o HIV. \u201cDeve-se solucionar a presen\u00e7a persistente do v\u00edrus, potencialmente em tecidos com baixa penetra\u00e7\u00e3o dos retrovirais, e eliminar a replica\u00e7\u00e3o residual do v\u00edrus em c\u00e9lulas infectadas adormecidas, na forma latente. Devemos demonstrar que a fotoimunoterapia tem acesso a esses tecidos e reservat\u00f3rios\u201d, planeja. \u201cEstas etapas devem ser realizadas em estudos a serem realizados em modelos animal e em humanos. Como a t\u00e9cnica n\u00e3o depende do tipo de fotossensibilizador, podemos escolher um tipo que atua com luz infravermelha, por exemplo. Nesse caso \u00e9 poss\u00edvel ter acesso direto \u00e0s c\u00e9lulas infectadas em \u00f3rg\u00e3os como intestinos e vasos linf\u00e1ticos atrav\u00e9s da ilumina\u00e7\u00e3o externa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa teve a participa\u00e7\u00e3o de Mohammad Sadraeian, primeiro autor do artigo, que realiza estudos de p\u00f3s-doutorado com bolsa da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), e do professor Francisco Eduardo Gontijo Guimar\u00e3es, ambos do IFSC. Na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), colaboraram Edgar Ferreira da Cruz e os professores Luiz M\u00e1rio Ramos Janini e Ricardo Sobhie Diaz, do Laborat\u00f3rio de Retrovirologia. O trabalho contou ainda com as contribui\u00e7\u00f5es de Ross W. Boyle, da University of Hull, Calise Bahou e o professor Vijay Chudasama, do University College London (Reino Unido)<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: &nbsp;https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/em-laboratorio-tecnica-que-combina-anticorpos-e-fototerapia-elimina-virus-hiv\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testes em laborat\u00f3rio realizados em pesquisa do Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos (IFSC) da USP indicam bons resultados de uma t\u00e9cnica que combina fototerapia e imunoterapia \u2013 a fotoimunoterapia (FIT) \u2013 para combater o HIV, o v\u00edrus da Aids. 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A terapia \u00e9 descrita em&nbsp;artigo&nbsp;publicado no site da revista cient\u00edfica&nbsp;ACS Omega. \u201cNessa pesquisa, abordamos dois aspectos importantes quando consideramos uma terapia eficaz para o combate ao v\u00edrus, as c\u00e9lulas de defesa infectadas pelo HIV ainda persistem por d\u00e9cadas em pacientes que recebem terapia antirretroviral e o aumento alarmante de v\u00edrus HIV resistente aos medicamentos\u201d, afirma o professor Francisco Eduardo Gontijo Guimar\u00e3es, coordenador da pesquisa. \u201cPropomos nesse estudo a aplica\u00e7\u00e3o da FIT, n\u00e3o apenas contra as c\u00e9lulas de defesa que, quando infectadas, expressam as prote\u00ednas do envelope do HIV em suas membranas, mas tamb\u00e9m contra o pr\u00f3prio HIV circulante no sangue.\u201d A FIT combina terapia fotodin\u00e2mica e imunoterapia, direcionada a prote\u00ednas do envelope do HIV. \u201cUsamos diferentes estrat\u00e9gias terap\u00eauticas para alvejar e eliminar c\u00e9lulas infectadas e o pr\u00f3prio HIV usando fotossensibilizadores ligados a anticorpos que t\u00eam a capacidade de se ligarem a prote\u00ednas virais espec\u00edficas, ou seja, os anticorpos \u2018armados\u2019 com mol\u00e9culas fotossensibilizadoras se ligar\u00e3o apenas ao alvo preestabelecido nas membranas de c\u00e9lulas doentes e nas prote\u00ednas do envelope do v\u00edrus circulante\u201d, relata o professor. \u201cNessa situa\u00e7\u00e3o teremos condi\u00e7\u00e3o de eliminar apenas as c\u00e9lulas infectadas e o v\u00edrus atrav\u00e9s da ilumina\u00e7\u00e3o com luz de comprimento de onda espec\u00edfico.\u201d Os anticorpos foram desenhados de forma estrat\u00e9gica para carregar fotossensibilizadores e agir apenas nas c\u00e9lulas-alvo infectadas pelo HIV e no pr\u00f3prio v\u00edrus circulante no sangue. \u201cAl\u00e9m disso, ao ligar o fotossensibilizador ao anticorpo, estamos resolvendo alguns problemas da terapia fotodin\u00e2mica, como a baixa especificidade, dosagem e instabilidade da mol\u00e9cula fotossensibilizadora em meio aquoso\u201d, destaca Guimar\u00e3es. \u201cEsta estrat\u00e9gia \u00e9 importante pelo fato de que, na maioria dos casos, os fotossensibilizadores mostram-se inst\u00e1veis em meio aquoso, o que inviabiliza muito o processo de terapia fotodin\u00e2mica.\u201d Os testes com a FIT, realizados&nbsp;in vitro, usaram duas mol\u00e9culas fotossensibilizadoras. \u201cNa primeira estrat\u00e9gia, as mol\u00e9culas foram ligadas no interior do anticorpo para ficarem protegidas da a\u00e7\u00e3o ambiente\u201d, aponta o professor. \u201cNa segunda estrat\u00e9gia, as mol\u00e9culas foram ligadas na parte exterior do anticorpo para variarmos o \u2018carregamento\u2019 molecular em cada anticorpo, ou seja, controlamos o n\u00famero de mol\u00e9culas ligadas ao anticorpo.\u201d A pesquisa mostra que anticorpos humanos contendo mol\u00e9culas fotossensibilizadoras ligadas em sua estrutura, chamados de fotoimunoconjugados (FIC), ao se ligarem na membrana celular, induzem \u00e0 morte das c\u00e9lulas doentes devido a danos f\u00edsicos \u00e0 membrana por oxig\u00eanio singleto (uma forma mais reativa de oxig\u00eanio), que \u00e9 independente do tipo de fotossensibilizador utilizado. \u201cObservamos que os anticorpos com mol\u00e9culas fotossensibilizadoras pode destruir as cepas virais, provavelmente via dano f\u00edsico no envelope do HIV\u201d, ressalta Guimar\u00e3es. \u201cDesse modo, n\u00f3s demonstramos uma terapia que pode ser usada como uma poss\u00edvel ferramenta auxiliar para a terapia antirretroviral, matando c\u00e9lulas que expressam HIV e HIV livre de c\u00e9lulas, respectivamente. A t\u00e9cnica \u00e9 potencialmente menos t\u00f3xica que os antirretrovirais e pode adicionar mais potencial ao controle ao HIV.\u201d De acordo com o professor, a terapia por antirretrovirais, em alguns casos, causa danos \u00e0 sa\u00fade humana em longo prazo devido \u00e0 toxicidade de drogas. \u201cAs mol\u00e9culas presentes nos anticorpos s\u00e3o seletivas e n\u00e3o s\u00e3o afetadas pela resist\u00eancia aos medicamentos usados atualmente\u201d, observa. \u201cSe a efic\u00e1cia for comprovada \u2018in vivo\u2018, a terapia associada ao tratamento por antirretrovirais pode reduzir a dose e o n\u00famero desses medicamentos antirretrovirais e diminuir a toxicidade desses medicamentos no longo prazo.\u201d Segundo Guimar\u00e3es, ainda existem problemas a serem solucionados para o uso da t\u00e9cnica em uma terapia contra o HIV. \u201cDeve-se solucionar a presen\u00e7a persistente do v\u00edrus, potencialmente em tecidos com baixa penetra\u00e7\u00e3o dos retrovirais, e eliminar a replica\u00e7\u00e3o residual do v\u00edrus em c\u00e9lulas infectadas adormecidas, na forma latente. Devemos demonstrar que a fotoimunoterapia tem acesso a esses tecidos e reservat\u00f3rios\u201d, planeja. \u201cEstas etapas devem ser realizadas em estudos a serem realizados em modelos animal e em humanos. Como a t\u00e9cnica n\u00e3o depende do tipo de fotossensibilizador, podemos escolher um tipo que atua com luz infravermelha, por exemplo. Nesse caso \u00e9 poss\u00edvel ter acesso direto \u00e0s c\u00e9lulas infectadas em \u00f3rg\u00e3os como intestinos e vasos linf\u00e1ticos atrav\u00e9s da ilumina\u00e7\u00e3o externa.\u201d A pesquisa teve a participa\u00e7\u00e3o de Mohammad Sadraeian, primeiro autor do artigo, que realiza estudos de p\u00f3s-doutorado com bolsa da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), e do professor Francisco Eduardo Gontijo Guimar\u00e3es, ambos do IFSC. Na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), colaboraram Edgar Ferreira da Cruz e os professores Luiz M\u00e1rio Ramos Janini e Ricardo Sobhie Diaz, do Laborat\u00f3rio de Retrovirologia. O trabalho contou ainda com as contribui\u00e7\u00f5es de Ross W. 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