{"id":1346,"date":"2020-12-18T12:39:22","date_gmt":"2020-12-18T15:39:22","guid":{"rendered":"http:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/?p=1346"},"modified":"2020-12-18T12:39:22","modified_gmt":"2020-12-18T15:39:22","slug":"ii-indetectavelintransmissivel-novos-sentidos-da-infeccao-para-quem-vive-com-hiv-aids-novos-desafios-para-a-resposta-a-epidemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/artigos\/ii-indetectavelintransmissivel-novos-sentidos-da-infeccao-para-quem-vive-com-hiv-aids-novos-desafios-para-a-resposta-a-epidemia\/1346\/","title":{"rendered":"I=I (indetect\u00e1vel=intransmiss\u00edvel): novos sentidos da infec\u00e7\u00e3o para quem vive com HIV\/aids, novos desafios para a resposta \u00e0 epidemia"},"content":{"rendered":"\n<p><br>Patricia Rocha de Figueredo<\/p>\n\n\n\n<p>Circula cada vez mais a informa\u00e7\u00e3o de que o v\u00edrus HIV n\u00e3o \u00e9 transmitido sexualmente por pessoas que vivem com HIV\/aids (PVHA) que mant\u00eam a carga viral indetect\u00e1vel atrav\u00e9s do tratamento adequado. Uma campanha internacional utiliza-se do &#8220;Indetect\u00e1vel = Intransmiss\u00edvel&#8221; (I=I) para impulsionar a mensagem. Objetivo: Investigar de que maneiras PVHA t\u00eam significado em suas vidas cotidianas essa forma de se colocar a quest\u00e3o da transmiss\u00e3o sexual no contexto do tratamento adequado, em termos de aus\u00eancia de risco. De forma secund\u00e1ria, ao explorar as atuais configura\u00e7\u00f5es que o I=I vem adquirindo na pr\u00e1tica, tentarei identificar suas potencialidades e limita\u00e7\u00f5es na indu\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o de respostas do setor sa\u00fade \u00e0 epidemia de HIV\/aids. Metodologia: O estudo lan\u00e7a m\u00e3o da metodologia qualitativa e busca um tratamento compreensivo-interpretativo da quest\u00e3o, apoiado na tradi\u00e7\u00e3o da hermen\u00eautica filos\u00f3fica de Gadamer. A t\u00e9cnica eleita para a produ\u00e7\u00e3o do material emp\u00edrico \u00e9 de entrevistas semiestruturadas com PVHA que estejam com carga viral indetect\u00e1vel h\u00e1 pelo menos 6 meses. O campo foi realizado no Centro de Refer\u00eancia e Treinamento em DST\/Aids de S\u00e3o Paulo. Resultados: Foram realizadas 11 entrevistas. As formas de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de que I=I foram a m\u00eddia e a conversa com profissionais, em algum momento de suas trajet\u00f3rias. A familiaridade com a informa\u00e7\u00e3o relaciona-se com sua apropria\u00e7\u00e3o no cotidiano e foi bastante vari\u00e1vel e marcada pela ambival\u00eancia traduzida na pergunta de um dos entrevistados: &#8220;N\u00e3o transmite mesmo? &#8220;. A partir desse tema, discutimos o I=I como um discurso do risco. A ambival\u00eancia em torno do discurso do risco de transmiss\u00e3o sexual no nosso contexto passa por quest\u00f5es como a (im) possibilidade de reinfec\u00e7\u00e3o, os escapes virais, a falha da medica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por percep\u00e7\u00f5es sobre estar com a carga viral indetect\u00e1vel. Sintetizamos esses achados na afirma\u00e7\u00e3o de outro de nossos entrevistados de que &#8220;os soropositivos se reinfectam&#8221; e discutimos aspectos do estigma, a partir desses achados. Finalmente, a partir da pergunta &#8220;Voc\u00ea conhece a express\u00e3o I=I? &#8220;, discutimos a no\u00e7\u00e3o do que chamamos &#8220;hiperinfectividade&#8221; atrelada ao v\u00edrus HIV. Conclus\u00f5es: O destaque do I=I como discurso do risco pretendeu aumentar a compreens\u00e3o das ambival\u00eancias encontradas nos depoimentos. Entendemos que tais ambival\u00eancias se relacionam com as resson\u00e2ncias das disputas de linguagem e com a incipiente discuss\u00e3o na pr\u00e1tica cl\u00ednica. Buscamos demonstrar a relev\u00e2ncia dessa discuss\u00e3o no espa\u00e7o do di\u00e1logo terap\u00eautico e suas possibilidades de incid\u00eancia no estigma, valorizando esse aspecto da socialidade do viver com HIV\/aids. O I=I pode constituir uma janela de oportunidade para acessar sofrimentos cotidianos que se relacionam com o estigma e suas complexas intersec\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m de quest\u00f5es sexuais e reprodutivas. Atribuir um car\u00e1ter de discurso do risco ao I=I tem a fun\u00e7\u00e3o de entender seus entraves ou contradi\u00e7\u00f5es como discurso do campo da sa\u00fade. Se nos restringirmos a uma perspectiva instrumental, podemos perder o campo dos significados que I=I configuram para as PVHA, e que mostramos potentes. Se h\u00e1 d\u00favidas quanto \u00e0 capacidade de o &#8220;Tratamento como Preven\u00e7\u00e3o&#8221; p\u00f4r fim \u00e0 epidemia, parece claro, por\u00e9m, que o I=I pode participar, sen\u00e3o de uma gest\u00e3o de riscos, certamente de uma gest\u00e3o da vida<\/p>\n\n\n\n<p>Acesse: https:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/5\/5137\/tde-09072020-131940\/en.php<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Rocha de Figueredo Circula cada vez mais a informa\u00e7\u00e3o de que o v\u00edrus HIV n\u00e3o \u00e9 transmitido sexualmente por pessoas que vivem com HIV\/aids (PVHA) que mant\u00eam a carga viral indetect\u00e1vel atrav\u00e9s do tratamento adequado. Uma campanha internacional utiliza-se do &#8220;Indetect\u00e1vel = Intransmiss\u00edvel&#8221; (I=I) para impulsionar a mensagem. 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O campo foi realizado no Centro de Refer\u00eancia e Treinamento em DST\/Aids de S\u00e3o Paulo. Resultados: Foram realizadas 11 entrevistas. As formas de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de que I=I foram a m\u00eddia e a conversa com profissionais, em algum momento de suas trajet\u00f3rias. A familiaridade com a informa\u00e7\u00e3o relaciona-se com sua apropria\u00e7\u00e3o no cotidiano e foi bastante vari\u00e1vel e marcada pela ambival\u00eancia traduzida na pergunta de um dos entrevistados: &#8220;N\u00e3o transmite mesmo? &#8220;. A partir desse tema, discutimos o I=I como um discurso do risco. A ambival\u00eancia em torno do discurso do risco de transmiss\u00e3o sexual no nosso contexto passa por quest\u00f5es como a (im) possibilidade de reinfec\u00e7\u00e3o, os escapes virais, a falha da medica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por percep\u00e7\u00f5es sobre estar com a carga viral indetect\u00e1vel. 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