{"id":1331,"date":"2020-12-14T21:00:48","date_gmt":"2020-12-15T00:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/?p=1331"},"modified":"2020-12-14T21:00:48","modified_gmt":"2020-12-15T00:00:48","slug":"dezembro-vermelho-mes-de-luta-contra-a-aids","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/noticias\/noticias-noticias\/dezembro-vermelho-mes-de-luta-contra-a-aids\/1331\/","title":{"rendered":"Dezembro vermelho &#8211; m\u00eas de luta contra a Aids"},"content":{"rendered":"\n<p>Dezembro \u00e9 o m\u00eas dedicado a falar de preven\u00e7\u00e3o e cuidados em rela\u00e7\u00e3o ao HIV. De acordo com o boletim epidemiol\u00f3gico divulgado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no dia 1\u00ba, cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, 89% foram diagnosticadas, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% est\u00e3o em tratamento e n\u00e3o transmitem o HIV por via sexual por terem alcan\u00e7ado carga viral indetect\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros dados informam que a epidemia segue principalmente entre homens homossexuais e bissexuais, grupo que corresponde a mais de 51% dos casos novos de infec\u00e7\u00e3o pelo HIV no ano passado. \u00c9 entre homens jovens, at\u00e9 os 29 anos, que os novos casos mais crescem.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, tudo indica que as campanhas de preven\u00e7\u00e3o devem ser amplificadas e n\u00e3o direcionadas a apenas uma faixa et\u00e1ria. No Distrito Federal, houve um grande aumento nos casos de infec\u00e7\u00e3o pelo HIV e diagn\u00f3stico de Aids entre 2014 e 2019 na popula\u00e7\u00e3o com mais de 60 anos. Para especialistas, essa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 sexualmente ativa, mas ainda encontra tabus quando o assunto \u00e9 sexualidade. Desse modo, \u00e9 necess\u00e1rio falar abertamente com esse grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 taxa de detec\u00e7\u00e3o de HIV em gestantes, em um per\u00edodo de dez anos, houve um aumento de 21,7%: em 2009, registraram-se 2,3 casos\/mil nascidos vivos e, em 2019, essa taxa passou para 2,8\/mil nascidos vivos. A tend\u00eancia de aumento se verifica em todas as regi\u00f5es do Brasil, sendo que as regi\u00f5es Norte e Nordeste foram as que apresentaram maiores incrementos na taxa, ambos de 83,3% nos \u00faltimos dez anos. Em toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica, a regi\u00e3o Sul apresentou as maiores taxas de detec\u00e7\u00e3o de HIV em gestantes no pa\u00eds. Em 2019, a taxa observada nessa regi\u00e3o foi de 5,6 casos\/mil nascidos vivos, duas vezes superior \u00e0 taxa nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros revelam que o Brasil n\u00e3o atingiu a meta 90-90-90 estipulada pelo Unaids &#8211; Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/Aids. A meta estabelecia que, at\u00e9 2020, 90% das pessoas deveriam saber seu estado sorol\u00f3gico, 90% dessas pessoas deveriam estar em tratamento ininterrupto e 90% delas deveriam usufruir de tratamento capaz de faz\u00ea-las atingir a carga viral indetect\u00e1vel. Por\u00e9m, os dados de 2020 demonstram ligeira melhora em rela\u00e7\u00e3o ao final de 2019, quando se constatou que 81% das pessoas que vivem com HIV sabiam seu status sorol\u00f3gico, e 67% delas estavam em terapia antirretroviral.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Valdez Madruga, coordenador do Comit\u00ea de Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia e membro do comit\u00ea cient\u00edfico do projeto Sa\u00fade Positiva observa que a falta de campanhas informativas focadas na preven\u00e7\u00e3o combinada pode estar entre um dos principais gargalos para que a meta estabelecida pela Unaids ainda n\u00e3o tenha sido cumprida no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas n\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o do risco e acabam n\u00e3o fazendo o teste; t\u00eam rela\u00e7\u00e3o desprotegida com um parceiro conhecido [um amigo, um conhecido] e acham que n\u00e3o est\u00e3o em risco\u201d, destaca. \u201cHoje temos medicamentos eficazes e protocolos de atendimento que possibilitariam um diagn\u00f3stico mais r\u00e1pido e, por tabela, um tratamento mais efetivo. Se h\u00e1 falha em um ponto, isso acaba falhando nos demais\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o especialista alerta para o risco em rela\u00e7\u00f5es monog\u00e2micas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas vezes, s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es monog\u00e2micas s\u00f3 de um lado; h\u00e1 muitos casos de pessoas que se contaminaram dessa forma. S\u00e3o casais homossexuais e heterossexuais que at\u00e9 come\u00e7aram a usar preservativo quando se conheceram e que, \u00e0 medida que v\u00e3o aprofundando o afeto, acham que est\u00e3o protegidos \u2014 at\u00e9 o momento em que descobrem que um dos parceiros se contaminou ou a contaminou\u201d, analisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dezembro \u00e9 o m\u00eas dedicado a falar de preven\u00e7\u00e3o e cuidados em rela\u00e7\u00e3o ao HIV. De acordo com o boletim epidemiol\u00f3gico divulgado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no dia 1\u00ba, cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, 89% foram diagnosticadas, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% est\u00e3o em tratamento e n\u00e3o transmitem o HIV por via sexual por terem alcan\u00e7ado carga viral indetect\u00e1vel. Outros dados informam que a epidemia segue principalmente entre homens homossexuais e bissexuais, grupo que corresponde a mais de 51% dos casos novos de infec\u00e7\u00e3o pelo HIV no ano passado. \u00c9 entre homens jovens, at\u00e9 os 29 anos, que os novos casos mais crescem. Por\u00e9m, tudo indica que as campanhas de preven\u00e7\u00e3o devem ser amplificadas e n\u00e3o direcionadas a apenas uma faixa et\u00e1ria. No Distrito Federal, houve um grande aumento nos casos de infec\u00e7\u00e3o pelo HIV e diagn\u00f3stico de Aids entre 2014 e 2019 na popula\u00e7\u00e3o com mais de 60 anos. Para especialistas, essa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 sexualmente ativa, mas ainda encontra tabus quando o assunto \u00e9 sexualidade. Desse modo, \u00e9 necess\u00e1rio falar abertamente com esse grupo. No que diz respeito \u00e0 taxa de detec\u00e7\u00e3o de HIV em gestantes, em um per\u00edodo de dez anos, houve um aumento de 21,7%: em 2009, registraram-se 2,3 casos\/mil nascidos vivos e, em 2019, essa taxa passou para 2,8\/mil nascidos vivos. A tend\u00eancia de aumento se verifica em todas as regi\u00f5es do Brasil, sendo que as regi\u00f5es Norte e Nordeste foram as que apresentaram maiores incrementos na taxa, ambos de 83,3% nos \u00faltimos dez anos. Em toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica, a regi\u00e3o Sul apresentou as maiores taxas de detec\u00e7\u00e3o de HIV em gestantes no pa\u00eds. Em 2019, a taxa observada nessa regi\u00e3o foi de 5,6 casos\/mil nascidos vivos, duas vezes superior \u00e0 taxa nacional. Os n\u00fameros revelam que o Brasil n\u00e3o atingiu a meta 90-90-90 estipulada pelo Unaids &#8211; Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/Aids. A meta estabelecia que, at\u00e9 2020, 90% das pessoas deveriam saber seu estado sorol\u00f3gico, 90% dessas pessoas deveriam estar em tratamento ininterrupto e 90% delas deveriam usufruir de tratamento capaz de faz\u00ea-las atingir a carga viral indetect\u00e1vel. Por\u00e9m, os dados de 2020 demonstram ligeira melhora em rela\u00e7\u00e3o ao final de 2019, quando se constatou que 81% das pessoas que vivem com HIV sabiam seu status sorol\u00f3gico, e 67% delas estavam em terapia antirretroviral. Jos\u00e9 Valdez Madruga, coordenador do Comit\u00ea de Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia e membro do comit\u00ea cient\u00edfico do projeto Sa\u00fade Positiva observa que a falta de campanhas informativas focadas na preven\u00e7\u00e3o combinada pode estar entre um dos principais gargalos para que a meta estabelecida pela Unaids ainda n\u00e3o tenha sido cumprida no Brasil. \u201cAs pessoas n\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o do risco e acabam n\u00e3o fazendo o teste; t\u00eam rela\u00e7\u00e3o desprotegida com um parceiro conhecido [um amigo, um conhecido] e acham que n\u00e3o est\u00e3o em risco\u201d, destaca. \u201cHoje temos medicamentos eficazes e protocolos de atendimento que possibilitariam um diagn\u00f3stico mais r\u00e1pido e, por tabela, um tratamento mais efetivo. Se h\u00e1 falha em um ponto, isso acaba falhando nos demais\u201d, pontua. 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