{"id":1282,"date":"2020-11-24T18:18:35","date_gmt":"2020-11-24T21:18:35","guid":{"rendered":"http:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/?p=1282"},"modified":"2020-11-24T18:19:49","modified_gmt":"2020-11-24T21:19:49","slug":"estudo-mosaico-de-vacina-preventiva-contra-o-hiv-chega-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/noticias\/noticias-noticias\/estudo-mosaico-de-vacina-preventiva-contra-o-hiv-chega-ao-brasil\/1282\/","title":{"rendered":"Estudo Mosaico de vacina preventiva contra o HIV chega ao Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Rico Vasconcelos &#8211; republicado de Uol<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia do novo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2020\/01\/25\/tire-suas-principais-duvidas-sobre-o-coronavirus-que-se-espalha-pelo-mundo.htm\">coronav\u00edrus<\/a>&nbsp;colocou as vacinas no centro do debate p\u00fablico nos \u00faltimos meses no Brasil e no mundo. De uma hora para outra, todas as pessoas do planeta (as sensatas, pelo menos) colocaram o seu desejo e esperan\u00e7a em uma vacina eficaz e segura para a preven\u00e7\u00e3o contra a covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento \u00e9 perfeitamente compreens\u00edvel, j\u00e1 que a pandemia atual e as limita\u00e7\u00f5es impostas por ela s\u00e3o a maior urg\u00eancia de 2020. No entanto, o momento \u00e9 prop\u00edcio para lembrar que, antes do coronav\u00edrus, j\u00e1 havia outras pandemias \u00e0 espera de uma vacina. Ser\u00e1 que as pessoas do mundo se interessariam da mesma forma por uma vacina que protegesse contra a infec\u00e7\u00e3o por&nbsp;<a href=\"https:\/\/uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2018\/12\/04\/aids-sintomas-iniciais-da-infeccao-por-hiv-podem-ser-confundidos-com-gripe.htm\">HIV<\/a>?<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que a pandemia de HIV foi reconhecida, na d\u00e9cada de 1980, os pesquisadores tentam desenvolver uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/colunas\/rico-vasconcelos\/2020\/10\/30\/e-se-a-vacina-contra-covid-aumentar-o-risco-de-infeccao-por-hiv.htm\">vacina contra esse v\u00edrus<\/a>. J\u00e1 foram testadas diversas candidatas, sendo a maioria delas com resultados pouco animadores, por n\u00e3o mostrarem nenhuma prote\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo por aumentarem o risco da aquisi\u00e7\u00e3o do HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica vacina experimental que at\u00e9 hoje demonstrou alguma efic\u00e1cia na preven\u00e7\u00e3o do HIV foi a ALVAC\/AIDSVAX, cujos resultados do ensaio cl\u00ednico de fase 3 foram publicados em dezembro de 2009. Nesse estudo, conduzido na Tail\u00e2ndia com mais de 16 mil participantes, houve redu\u00e7\u00e3o de cerca de 30% nas infec\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos vacinados, quando comparados com os que receberam placebo.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora pode ser que as coisas comecem a mudar nesse cen\u00e1rio. Uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa0908492\">nova vacina<\/a>, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos EUA, conseguiu a prote\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de 67% em experimentos realizados com macacos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela utiliza como vetor o Adenov\u00edrus 26, um v\u00edrus inofensivo aos seres humanos, usado na vacina apenas para carregar enxertado no seu material gen\u00e9tico as informa\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas do HIV. Depois de injetado em uma pessoa, esse v\u00edrus vai ser replicar e produzir essas prote\u00ednas do HIV, provocando uma resposta de defesa contra elas e contra o HIV, sem que essa pessoa tenha tido qualquer contato com o HIV verdadeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seres humanos, j\u00e1 temos estudos mostrando que essa nova vacina n\u00e3o tem efeitos colaterais graves e que consegue induzir a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos de maneira satisfat\u00f3ria entre os vacinados. Resta agora saber se, entre seres humanos, esses anticorpos podem proteger de uma infec\u00e7\u00e3o por HIV t\u00e3o bem quanto protegeu os macacos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para responder a essa d\u00favida, dois grandes ensaios cl\u00ednicos est\u00e3o sendo realizados simultaneamente para testar a efic\u00e1cia protetora da vacina. O primeiro deles se chama Imbokodo, estudo que incluiu, entre 2017 e 2019, 2.637 mulheres cisg\u00eanero de 18 a 29 anos de idade na \u00c1frica do Sul, Zimb\u00e1bue, Mo\u00e7ambique, Z\u00e2mbia e Mal\u00e1ui. Todos eles pa\u00edses que t\u00eam uma epidemia de HIV concentrada entre mulheres cisg\u00eanero heterossexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, um segundo estudo chamado Mosaico pretende recrutar 3.800 homens gays ou bissexuais, e pessoas transg\u00eanero nas Am\u00e9ricas e Europa, regi\u00f5es que apresentam a epidemia concentrada nesses grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois estudos, os participantes inclu\u00eddos devem ser considerados vulner\u00e1veis ao HIV. Eles ser\u00e3o sorteados para receber aleatoriamente as quatro doses da vacina experimental ou de placebo. Receber\u00e3o tamb\u00e9m todo o suporte atualmente dispon\u00edvel para a preven\u00e7\u00e3o do HIV e ser\u00e3o acompanhados por cerca de 2 anos, fazendo testagens trimestrais para esse v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se deseja demonstrar \u00e9 que, entre aqueles que receberem a vacina experimental, a incid\u00eancia de HIV ser\u00e1 menor do que entre os que receberem placebo.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o estudo Mosaico vai recrutar participantes em S\u00e3o Paulo (no Hospital das Cl\u00ednicas da FMUSP, no Instituto de Infectologia Em\u00edlio Ribas e no CRT DST&nbsp;<a href=\"https:\/\/uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2018\/12\/04\/aids-sintomas-iniciais-da-infeccao-por-hiv-podem-ser-confundidos-com-gripe.htm\">Aids<\/a>), no Rio de Janeiro (na Fiocruz e no Hospital Geral de Nova Igua\u00e7u), em Belo Horizonte (na UFMG), em Manaus (na Funda\u00e7\u00e3o Medicina Tropical) e em Curitiba (no Centro M\u00e9dico S\u00e3o Francisco). Alguns desses centros j\u00e1 at\u00e9 come\u00e7aram as visitas de triagem de participantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea mora em alguma dessas cidades e se interessou pelo estudo, entre em contato com as institui\u00e7\u00f5es participantes para obter mais informa\u00e7\u00f5es. E mesmo que voc\u00ea n\u00e3o fa\u00e7a parte do grupo alvo da pesquisa, ajude a divulg\u00e1-la. Dessa forma estar\u00e1 ajudando a ci\u00eancia e a popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenvolvimento de vacinas para a preven\u00e7\u00e3o contra infec\u00e7\u00f5es foi certamente a interven\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica com o maior impacto at\u00e9 hoje na redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mortes causadas por doen\u00e7as transmiss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como para covid-19, uma vacina contra o HIV \u00e9 uma ajuda muito mais que bem-vinda para a humanidade. Fa\u00e7a parte dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rico Vasconcelos &#8211; republicado de Uol A pandemia do novo&nbsp;coronav\u00edrus&nbsp;colocou as vacinas no centro do debate p\u00fablico nos \u00faltimos meses no Brasil e no mundo. De uma hora para outra, todas as pessoas do planeta (as sensatas, pelo menos) colocaram o seu desejo e esperan\u00e7a em uma vacina eficaz e segura para a preven\u00e7\u00e3o contra a covid-19. O movimento \u00e9 perfeitamente compreens\u00edvel, j\u00e1 que a pandemia atual e as limita\u00e7\u00f5es impostas por ela s\u00e3o a maior urg\u00eancia de 2020. No entanto, o momento \u00e9 prop\u00edcio para lembrar que, antes do coronav\u00edrus, j\u00e1 havia outras pandemias \u00e0 espera de uma vacina. Ser\u00e1 que as pessoas do mundo se interessariam da mesma forma por uma vacina que protegesse contra a infec\u00e7\u00e3o por&nbsp;HIV? Desde que a pandemia de HIV foi reconhecida, na d\u00e9cada de 1980, os pesquisadores tentam desenvolver uma&nbsp;vacina contra esse v\u00edrus. J\u00e1 foram testadas diversas candidatas, sendo a maioria delas com resultados pouco animadores, por n\u00e3o mostrarem nenhuma prote\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo por aumentarem o risco da aquisi\u00e7\u00e3o do HIV. A \u00fanica vacina experimental que at\u00e9 hoje demonstrou alguma efic\u00e1cia na preven\u00e7\u00e3o do HIV foi a ALVAC\/AIDSVAX, cujos resultados do ensaio cl\u00ednico de fase 3 foram publicados em dezembro de 2009. Nesse estudo, conduzido na Tail\u00e2ndia com mais de 16 mil participantes, houve redu\u00e7\u00e3o de cerca de 30% nas infec\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos vacinados, quando comparados com os que receberam placebo. Agora pode ser que as coisas comecem a mudar nesse cen\u00e1rio. Uma&nbsp;nova vacina, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos EUA, conseguiu a prote\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de 67% em experimentos realizados com macacos. Ela utiliza como vetor o Adenov\u00edrus 26, um v\u00edrus inofensivo aos seres humanos, usado na vacina apenas para carregar enxertado no seu material gen\u00e9tico as informa\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas do HIV. Depois de injetado em uma pessoa, esse v\u00edrus vai ser replicar e produzir essas prote\u00ednas do HIV, provocando uma resposta de defesa contra elas e contra o HIV, sem que essa pessoa tenha tido qualquer contato com o HIV verdadeiro. Em seres humanos, j\u00e1 temos estudos mostrando que essa nova vacina n\u00e3o tem efeitos colaterais graves e que consegue induzir a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos de maneira satisfat\u00f3ria entre os vacinados. Resta agora saber se, entre seres humanos, esses anticorpos podem proteger de uma infec\u00e7\u00e3o por HIV t\u00e3o bem quanto protegeu os macacos. Para responder a essa d\u00favida, dois grandes ensaios cl\u00ednicos est\u00e3o sendo realizados simultaneamente para testar a efic\u00e1cia protetora da vacina. O primeiro deles se chama Imbokodo, estudo que incluiu, entre 2017 e 2019, 2.637 mulheres cisg\u00eanero de 18 a 29 anos de idade na \u00c1frica do Sul, Zimb\u00e1bue, Mo\u00e7ambique, Z\u00e2mbia e Mal\u00e1ui. Todos eles pa\u00edses que t\u00eam uma epidemia de HIV concentrada entre mulheres cisg\u00eanero heterossexuais. Agora, um segundo estudo chamado Mosaico pretende recrutar 3.800 homens gays ou bissexuais, e pessoas transg\u00eanero nas Am\u00e9ricas e Europa, regi\u00f5es que apresentam a epidemia concentrada nesses grupos. Nos dois estudos, os participantes inclu\u00eddos devem ser considerados vulner\u00e1veis ao HIV. Eles ser\u00e3o sorteados para receber aleatoriamente as quatro doses da vacina experimental ou de placebo. Receber\u00e3o tamb\u00e9m todo o suporte atualmente dispon\u00edvel para a preven\u00e7\u00e3o do HIV e ser\u00e3o acompanhados por cerca de 2 anos, fazendo testagens trimestrais para esse v\u00edrus. O que se deseja demonstrar \u00e9 que, entre aqueles que receberem a vacina experimental, a incid\u00eancia de HIV ser\u00e1 menor do que entre os que receberem placebo. No Brasil, o estudo Mosaico vai recrutar participantes em S\u00e3o Paulo (no Hospital das Cl\u00ednicas da FMUSP, no Instituto de Infectologia Em\u00edlio Ribas e no CRT DST&nbsp;Aids), no Rio de Janeiro (na Fiocruz e no Hospital Geral de Nova Igua\u00e7u), em Belo Horizonte (na UFMG), em Manaus (na Funda\u00e7\u00e3o Medicina Tropical) e em Curitiba (no Centro M\u00e9dico S\u00e3o Francisco). Alguns desses centros j\u00e1 at\u00e9 come\u00e7aram as visitas de triagem de participantes. Se voc\u00ea mora em alguma dessas cidades e se interessou pelo estudo, entre em contato com as institui\u00e7\u00f5es participantes para obter mais informa\u00e7\u00f5es. E mesmo que voc\u00ea n\u00e3o fa\u00e7a parte do grupo alvo da pesquisa, ajude a divulg\u00e1-la. Dessa forma estar\u00e1 ajudando a ci\u00eancia e a popula\u00e7\u00e3o mundial. O desenvolvimento de vacinas para a preven\u00e7\u00e3o contra infec\u00e7\u00f5es foi certamente a interven\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica com o maior impacto at\u00e9 hoje na redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mortes causadas por doen\u00e7as transmiss\u00edveis. Assim como para covid-19, uma vacina contra o HIV \u00e9 uma ajuda muito mais que bem-vinda para a humanidade. 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