{"id":1249,"date":"2020-11-09T18:56:51","date_gmt":"2020-11-09T21:56:51","guid":{"rendered":"http:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/?p=1249"},"modified":"2020-11-09T18:56:51","modified_gmt":"2020-11-09T21:56:51","slug":"analise-sobre-estudos-afirma-que-homens-vivendo-com-hiv-tem-um-risco-aproximadamente-25-menor-de-cancer-de-prostata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/noticias\/noticias-noticias\/analise-sobre-estudos-afirma-que-homens-vivendo-com-hiv-tem-um-risco-aproximadamente-25-menor-de-cancer-de-prostata\/1249\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise sobre estudos afirma que homens vivendo com HIV t\u00eam um risco aproximadamente 25% menor de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata"},"content":{"rendered":"\n<p>De acordo com relat\u00f3rio publicado na revista Prostate Cancer and Prostatic Diseases, a equipe de pesquisa liderada pelo doutor Dianqin Sun do National Cancer Center concluiu que as taxas de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata s\u00e3o aproximadamente 25% mais baixas entre os homens que vivem com HIV em compara\u00e7\u00e3o com os homens na popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise dos resultados de 27 estudos realizados separadamente envolvendo em torno de 600.000 homens HIV-positivos demonstrou esse n\u00famero. Essa descoberta mudou pouco quando os pesquisadores realizaram uma s\u00e9rie de an\u00e1lises secund\u00e1rias ou de &#8220;sensibilidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo geral, a taxa de incid\u00eancia padronizada foi de 0,76 e permaneceu est\u00e1vel em uma s\u00e9rie de an\u00e1lises de sensibilidade, indicando uma incid\u00eancia aproximadamente um quarto menor de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em homens com HIV\/AIDS em compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o em geral.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo demonstra relev\u00e2ncia visto que se sabe que as pessoas com HIV correm maior risco de desenvolver alguns tipos de c\u00e2ncer que podem ser causados por infec\u00e7\u00f5es virais, provavelmente devido \u00e0s taxas mais altas dessas infec\u00e7\u00f5es e ao impacto do HIV no sistema imunol\u00f3gico. Estes incluem linfomas, sarcoma de Kaposi, c\u00e2ncer de f\u00edgado, c\u00e2ncer cervical e c\u00e2ncer anal. As taxas de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o elevadas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, h\u00e1 um debate cont\u00ednuo sobre a associa\u00e7\u00e3o entre a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV e o risco de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata. Duas meta-an\u00e1lises publicadas em 2007 e 2009 sugeriram que homens HIV-positivos tinham menor incid\u00eancia de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em compara\u00e7\u00e3o com os homens na popula\u00e7\u00e3o em geral. No entanto, v\u00e1rios estudos foram publicados desde ent\u00e3o, e alguns conflitam com as meta-an\u00e1lises.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o doutor Sun e seus colegas buscaram compreender melhor essa quest\u00e3o. Conduziram uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica e uma meta-an\u00e1lise de estudos publicados, na qual compararam a incid\u00eancia de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata entre homens com HIV e homens na popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados dos estudos foram agrupados e os investigadores compararam a incid\u00eancia geral observada em homens com VIH com a observada na popula\u00e7\u00e3o masculina geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos de coorte (prospectivos e retrospectivos) publicados antes de mar\u00e7o de 2020 foram inclu\u00eddos na revis\u00e3o. Uma busca em bancos de dados identificou 27 estudos eleg\u00edveis de 11 pa\u00edses, a maioria desenvolvida. O intervalo de datas para a coleta de dados foi de 1981 a 2013, mas a maioria foi publicada ap\u00f3s 2000. Os estudos agrupados inclu\u00edram aproximadamente 600.000 homens com HIV. O n\u00famero de homens com HIV em cada coorte variou de 1730 a 57.500.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve 2.780 casos de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em homens HIV-positivos. O n\u00famero de casos por estudo variou de zero a mais de 1000. Os resultados combinados mostraram que a incid\u00eancia de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata foi 24% menor em homens com HIV em compara\u00e7\u00e3o com os homens na popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta descoberta permaneceu praticamente inalterada mesmo ap\u00f3s uma s\u00e9rie de an\u00e1lises de sensibilidade, que inclu\u00edram ajustes de acordo com as caracter\u00edsticas individuais, como idade, ra\u00e7a e contagem de CD4.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores exclu\u00edram um estudo de cada vez de sua an\u00e1lise para testar a robustez de sua descoberta geral. Por\u00e9m, isso n\u00e3o teve qualquer impacto significativo nos c\u00e1lculos de incid\u00eancia, com a infec\u00e7\u00e3o por HIV associada a uma redu\u00e7\u00e3o no risco de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata entre 21% e 29%.<\/p>\n\n\n\n<p>Visto que viver com HIV est\u00e1 associado a um risco aumentado de v\u00e1rios outros tipos de c\u00e2ncer, como pode ser explicada a incid\u00eancia reduzida de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata? Os pesquisadores discutem uma s\u00e9rie de raz\u00f5es, como exames menos frequentes, produ\u00e7\u00e3o reduzida de testosterona e o impacto de alguns medicamentos antirretrovirais nos mecanismos associados ao desenvolvimento do c\u00e2ncer de pr\u00f3stata. Por\u00e9m, os pesquisadores ainda n\u00e3o acreditam que essas explica\u00e7\u00f5es sejam satisfat\u00f3rias. Al\u00e9m disso, destacam a consider\u00e1vel heterogeneidade nos estudos inclu\u00eddos na meta-an\u00e1lise \u2013 raramente comparavam estudos com a mesma metodologia ou com o mesmo rigor. Isso significa que algum cuidado \u00e9 necess\u00e1rio ao interpretar os resultados da meta-an\u00e1lise, pois n\u00e3o s\u00e3o definitivos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossa meta-an\u00e1lise mostra que homens com HIV\/Aids t\u00eam uma incid\u00eancia menor de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, concluem os pesquisadores de Pequim. \u201cNossas descobertas apoiam a necessidade de mais estudos para abordar as vias epidemiol\u00f3gicas ou biol\u00f3gicas que afetam a incid\u00eancia de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em homens com HIV\/Aids.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias da pesquisa<\/p>\n\n\n\n<p>Sun D et al. Risk of prostrate cancer in men with HIV\/AIDS: a systematic review and meta-analysis. <em>Prostrate Cancer and Prostatic Diseases<\/em>, publicado online, 14 Agosto 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com relat\u00f3rio publicado na revista Prostate Cancer and Prostatic Diseases, a equipe de pesquisa liderada pelo doutor Dianqin Sun do National Cancer Center concluiu que as taxas de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata s\u00e3o aproximadamente 25% mais baixas entre os homens que vivem com HIV em compara\u00e7\u00e3o com os homens na popula\u00e7\u00e3o em geral. A an\u00e1lise dos resultados de 27 estudos realizados separadamente envolvendo em torno de 600.000 homens HIV-positivos demonstrou esse n\u00famero. Essa descoberta mudou pouco quando os pesquisadores realizaram uma s\u00e9rie de an\u00e1lises secund\u00e1rias ou de &#8220;sensibilidade&#8221;. \u201cNo geral, a taxa de incid\u00eancia padronizada foi de 0,76 e permaneceu est\u00e1vel em uma s\u00e9rie de an\u00e1lises de sensibilidade, indicando uma incid\u00eancia aproximadamente um quarto menor de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em homens com HIV\/AIDS em compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o em geral.\u201d O estudo demonstra relev\u00e2ncia visto que se sabe que as pessoas com HIV correm maior risco de desenvolver alguns tipos de c\u00e2ncer que podem ser causados por infec\u00e7\u00f5es virais, provavelmente devido \u00e0s taxas mais altas dessas infec\u00e7\u00f5es e ao impacto do HIV no sistema imunol\u00f3gico. Estes incluem linfomas, sarcoma de Kaposi, c\u00e2ncer de f\u00edgado, c\u00e2ncer cervical e c\u00e2ncer anal. As taxas de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o elevadas. No entanto, h\u00e1 um debate cont\u00ednuo sobre a associa\u00e7\u00e3o entre a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV e o risco de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata. Duas meta-an\u00e1lises publicadas em 2007 e 2009 sugeriram que homens HIV-positivos tinham menor incid\u00eancia de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em compara\u00e7\u00e3o com os homens na popula\u00e7\u00e3o em geral. No entanto, v\u00e1rios estudos foram publicados desde ent\u00e3o, e alguns conflitam com as meta-an\u00e1lises. Por isso, o doutor Sun e seus colegas buscaram compreender melhor essa quest\u00e3o. Conduziram uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica e uma meta-an\u00e1lise de estudos publicados, na qual compararam a incid\u00eancia de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata entre homens com HIV e homens na popula\u00e7\u00e3o em geral. Os resultados dos estudos foram agrupados e os investigadores compararam a incid\u00eancia geral observada em homens com VIH com a observada na popula\u00e7\u00e3o masculina geral. Estudos de coorte (prospectivos e retrospectivos) publicados antes de mar\u00e7o de 2020 foram inclu\u00eddos na revis\u00e3o. Uma busca em bancos de dados identificou 27 estudos eleg\u00edveis de 11 pa\u00edses, a maioria desenvolvida. O intervalo de datas para a coleta de dados foi de 1981 a 2013, mas a maioria foi publicada ap\u00f3s 2000. Os estudos agrupados inclu\u00edram aproximadamente 600.000 homens com HIV. O n\u00famero de homens com HIV em cada coorte variou de 1730 a 57.500. Houve 2.780 casos de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em homens HIV-positivos. O n\u00famero de casos por estudo variou de zero a mais de 1000. Os resultados combinados mostraram que a incid\u00eancia de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata foi 24% menor em homens com HIV em compara\u00e7\u00e3o com os homens na popula\u00e7\u00e3o em geral. Esta descoberta permaneceu praticamente inalterada mesmo ap\u00f3s uma s\u00e9rie de an\u00e1lises de sensibilidade, que inclu\u00edram ajustes de acordo com as caracter\u00edsticas individuais, como idade, ra\u00e7a e contagem de CD4. Os pesquisadores exclu\u00edram um estudo de cada vez de sua an\u00e1lise para testar a robustez de sua descoberta geral. Por\u00e9m, isso n\u00e3o teve qualquer impacto significativo nos c\u00e1lculos de incid\u00eancia, com a infec\u00e7\u00e3o por HIV associada a uma redu\u00e7\u00e3o no risco de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata entre 21% e 29%. Visto que viver com HIV est\u00e1 associado a um risco aumentado de v\u00e1rios outros tipos de c\u00e2ncer, como pode ser explicada a incid\u00eancia reduzida de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata? Os pesquisadores discutem uma s\u00e9rie de raz\u00f5es, como exames menos frequentes, produ\u00e7\u00e3o reduzida de testosterona e o impacto de alguns medicamentos antirretrovirais nos mecanismos associados ao desenvolvimento do c\u00e2ncer de pr\u00f3stata. Por\u00e9m, os pesquisadores ainda n\u00e3o acreditam que essas explica\u00e7\u00f5es sejam satisfat\u00f3rias. Al\u00e9m disso, destacam a consider\u00e1vel heterogeneidade nos estudos inclu\u00eddos na meta-an\u00e1lise \u2013 raramente comparavam estudos com a mesma metodologia ou com o mesmo rigor. Isso significa que algum cuidado \u00e9 necess\u00e1rio ao interpretar os resultados da meta-an\u00e1lise, pois n\u00e3o s\u00e3o definitivos. \u201cNossa meta-an\u00e1lise mostra que homens com HIV\/Aids t\u00eam uma incid\u00eancia menor de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, concluem os pesquisadores de Pequim. \u201cNossas descobertas apoiam a necessidade de mais estudos para abordar as vias epidemiol\u00f3gicas ou biol\u00f3gicas que afetam a incid\u00eancia de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em homens com HIV\/Aids.\u201d Refer\u00eancias da pesquisa Sun D et al. Risk of prostrate cancer in men with HIV\/AIDS: a systematic review and meta-analysis. Prostrate Cancer and Prostatic Diseases, publicado online, 14 Agosto 2020.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1251,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":""},"categories":[31],"tags":[38,135],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/laco-azul-novembro-azul-eu-atleta.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1249"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1249"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1249\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1250,"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1249\/revisions\/1250"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}