{"id":1181,"date":"2020-10-01T20:36:43","date_gmt":"2020-10-01T23:36:43","guid":{"rendered":"http:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/?p=1181"},"modified":"2020-10-01T20:36:43","modified_gmt":"2020-10-01T23:36:43","slug":"estudo-autocoleta-de-amostras-para-ists-no-reto-e-na-garganta-apresentam-a-precisao-diagnostica-da-amostragem-por-um-profissional-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/saudepositiva\/sem-categoria\/estudo-autocoleta-de-amostras-para-ists-no-reto-e-na-garganta-apresentam-a-precisao-diagnostica-da-amostragem-por-um-profissional-de-saude\/1181\/","title":{"rendered":"ESTUDO: Autocoleta de amostras para ISTs no reto e na garganta apresentam a precis\u00e3o diagn\u00f3stica da amostragem por um profissional de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"\n<p>De acordo com publica\u00e7\u00e3o relatada na edi\u00e7\u00e3o online da <em>Clinical Infectious Diseases<\/em>, a autocoleta de amostras para infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis no reto e na garganta \u00e9 t\u00e3o precisa quanto o teste realizado por um profissional de sa\u00fade. Os pesquisadores de Leeds, no Reino Unido, chegaram a essa conclus\u00e3o ap\u00f3s um estudo que envolveu mulheres e homens gays. Eles descobriram que a autocoleta retal e da garganta era igual em precis\u00e3o \u00e0 amostragem por profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es retais foi identificada em indiv\u00edduos que n\u00e3o relataram hist\u00f3rico de sexo anal. Os pesquisadores, liderados pela doutora Janet Wilson, recomendam, portanto, o rastreamento de infec\u00e7\u00f5es retais e de garganta em mulheres e homens gays, independentemente da atividade sexual relatada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHouve boa concord\u00e2ncia entre o teste cl\u00ednico e as amostras colhidas pelos pr\u00f3prios pacientes, sem diferen\u00e7a na precis\u00e3o do diagn\u00f3stico\u201d, escrevem os autores. \u201cComo a hist\u00f3ria sexual n\u00e3o identifica aqueles com infec\u00e7\u00f5es extragenitais, nosso estudo apoia fortemente a evid\u00eancia existente para amostragem universal em homens que fazem sexo com homens e mulheres submetidos a testes de clam\u00eddia e gonorreia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A autocoleta de amostras para ISTS, seja em ambientes comunit\u00e1rios ou em casa, usando kits, est\u00e1 se tornando mais comum no Reino Unido. A Dra. Wilson e seus colegas da Leeds Sexual Health, da Leeds University e do Imperial College London, no entanto, estavam cientes de que as evid\u00eancias da precis\u00e3o da autocoleta eram relativamente fracas. Os pesquisadores procuraram abordar essa lacuna, realizando o primeiro grande estudo prospectivo comparando a precis\u00e3o do diagn\u00f3stico de amostras coletadas por profissionais de sa\u00fade e autocoleta para a detec\u00e7\u00e3o de clam\u00eddia e gonorreia no reto e na garganta. Os autores tamb\u00e9m compararam o tempo necess\u00e1rio para esses m\u00e9todos de amostragem e calcularam os poss\u00edveis benef\u00edcios econ\u00f4micos da autocoleta.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia 1.793 participantes do estudo, composto por 1.284 mulheres e 509 homens gays, que receberam atendimento no Leeds Sexual Health entre 2015 e 2016. As mulheres tinham uma idade m\u00e9dia de 23 anos. Pouco mais de um ter\u00e7o (38%) apresentavam sintomas que sugeriam um problema genital devido a infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis. Quase todas tinham hist\u00f3rico de sexo vaginal, 96% haviam feito sexo oral e 46% haviam feito sexo anal. Os homens gays tinham em torno dos 29 anos e 13% tinham sintomas que indicavam uma poss\u00edvel IST uretral. A grande maioria (90%) tinha hist\u00f3ria de sexo anal receptivo e quase todos tinham hist\u00f3ria de sexo oral.<\/p>\n\n\n\n<p>Um profissional de sa\u00fade coletou amostras dos \u00f3rg\u00e3os genitais, reto e garganta. Os participantes ent\u00e3o realizaram a autocoleta dos mesmos locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ajudar a eliminar o risco de vi\u00e9s, ou seja, um erro sistem\u00e1tico na condu\u00e7\u00e3o do estudo (por exemplo, no recrutamento, avalia\u00e7\u00e3o de desfechos ou an\u00e1lise dos dados), que pode levar a resultados incorretos, os funcion\u00e1rios do laborat\u00f3rio que analisou as amostras n\u00e3o sabiam quais foram coletadas pelos profissionais de sa\u00fade e quais foram as obtidas por autocoleta. Testes rigorosos foram realizados para ajudar a reduzir o risco de resultados falso-positivos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o houve diferen\u00e7as marcantes na precis\u00e3o do diagn\u00f3stico de esfrega\u00e7os colhidos por profissionais de sa\u00fade e pacientes. Para gonorreia retal, as taxas de detec\u00e7\u00e3o foram de 93% e 98% para as amostras cl\u00ednicas e autocoletadas, respectivamente. As taxas correspondentes para clam\u00eddia retal foram de 96% e 97%. A amostragem para infec\u00e7\u00f5es de garganta tamb\u00e9m teve precis\u00e3o compar\u00e1vel: a amostragem cl\u00ednica detectou com precis\u00e3o 93% da gonorreia e 92% das infec\u00e7\u00f5es por clam\u00eddia, com as taxas de autocoleta sendo de 96% e 94%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m descobriram que um grande n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es na garganta e no reto n\u00e3o teriam sido detectadas se os testes fossem guiados pelas hist\u00f3rias sexuais fornecidas aos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas mulheres, 9% das infec\u00e7\u00f5es por gonorreia e 13% das infec\u00e7\u00f5es por clam\u00eddia ocorreram em indiv\u00edduos sem infec\u00e7\u00e3o genital, enquanto a preval\u00eancia de clam\u00eddia retal foi maior do que a preval\u00eancia de clam\u00eddia genital (17% vs 16%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os homens gays eram mais propensos a infec\u00e7\u00f5es no reto ou na garganta do que na uretra. Dois ter\u00e7os dos diagn\u00f3sticos de gonorreia e 71% dos casos de clam\u00eddia ocorreram em homens que n\u00e3o tinham infec\u00e7\u00e3o no p\u00eanis.<\/p>\n\n\n\n<p>A autocoleta de amostras demorou um pouco mais (em m\u00e9dia quatro minutos) do que a amostragem de profissionais de sa\u00fade (tr\u00eas minutos), mas demonstrou ser mais econ\u00f4mica do que a realizada por m\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, os pesquisadores acreditam que suas descobertas t\u00eam implica\u00e7\u00f5es importantes para os formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas e servi\u00e7os de ISTs, mostrando que a autocoleta de amostras para infec\u00e7\u00f5es na garganta e no reto produz resultados altamente precisos. Al\u00e9m disso, acreditam que suas descobertas apoiam fortemente a triagem de todos os homens gays e mulheres para ISTs na garganta e reto durante os exames de sa\u00fade sexual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com publica\u00e7\u00e3o relatada na edi\u00e7\u00e3o online da Clinical Infectious Diseases, a autocoleta de amostras para infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis no reto e na garganta \u00e9 t\u00e3o precisa quanto o teste realizado por um profissional de sa\u00fade. Os pesquisadores de Leeds, no Reino Unido, chegaram a essa conclus\u00e3o ap\u00f3s um estudo que envolveu mulheres e homens gays. Eles descobriram que a autocoleta retal e da garganta era igual em precis\u00e3o \u00e0 amostragem por profissionais de sa\u00fade. Um grande n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es retais foi identificada em indiv\u00edduos que n\u00e3o relataram hist\u00f3rico de sexo anal. Os pesquisadores, liderados pela doutora Janet Wilson, recomendam, portanto, o rastreamento de infec\u00e7\u00f5es retais e de garganta em mulheres e homens gays, independentemente da atividade sexual relatada. \u201cHouve boa concord\u00e2ncia entre o teste cl\u00ednico e as amostras colhidas pelos pr\u00f3prios pacientes, sem diferen\u00e7a na precis\u00e3o do diagn\u00f3stico\u201d, escrevem os autores. \u201cComo a hist\u00f3ria sexual n\u00e3o identifica aqueles com infec\u00e7\u00f5es extragenitais, nosso estudo apoia fortemente a evid\u00eancia existente para amostragem universal em homens que fazem sexo com homens e mulheres submetidos a testes de clam\u00eddia e gonorreia.\u201d A autocoleta de amostras para ISTS, seja em ambientes comunit\u00e1rios ou em casa, usando kits, est\u00e1 se tornando mais comum no Reino Unido. A Dra. Wilson e seus colegas da Leeds Sexual Health, da Leeds University e do Imperial College London, no entanto, estavam cientes de que as evid\u00eancias da precis\u00e3o da autocoleta eram relativamente fracas. Os pesquisadores procuraram abordar essa lacuna, realizando o primeiro grande estudo prospectivo comparando a precis\u00e3o do diagn\u00f3stico de amostras coletadas por profissionais de sa\u00fade e autocoleta para a detec\u00e7\u00e3o de clam\u00eddia e gonorreia no reto e na garganta. Os autores tamb\u00e9m compararam o tempo necess\u00e1rio para esses m\u00e9todos de amostragem e calcularam os poss\u00edveis benef\u00edcios econ\u00f4micos da autocoleta. Havia 1.793 participantes do estudo, composto por 1.284 mulheres e 509 homens gays, que receberam atendimento no Leeds Sexual Health entre 2015 e 2016. As mulheres tinham uma idade m\u00e9dia de 23 anos. Pouco mais de um ter\u00e7o (38%) apresentavam sintomas que sugeriam um problema genital devido a infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis. Quase todas tinham hist\u00f3rico de sexo vaginal, 96% haviam feito sexo oral e 46% haviam feito sexo anal. Os homens gays tinham em torno dos 29 anos e 13% tinham sintomas que indicavam uma poss\u00edvel IST uretral. A grande maioria (90%) tinha hist\u00f3ria de sexo anal receptivo e quase todos tinham hist\u00f3ria de sexo oral. Um profissional de sa\u00fade coletou amostras dos \u00f3rg\u00e3os genitais, reto e garganta. Os participantes ent\u00e3o realizaram a autocoleta dos mesmos locais. Para ajudar a eliminar o risco de vi\u00e9s, ou seja, um erro sistem\u00e1tico na condu\u00e7\u00e3o do estudo (por exemplo, no recrutamento, avalia\u00e7\u00e3o de desfechos ou an\u00e1lise dos dados), que pode levar a resultados incorretos, os funcion\u00e1rios do laborat\u00f3rio que analisou as amostras n\u00e3o sabiam quais foram coletadas pelos profissionais de sa\u00fade e quais foram as obtidas por autocoleta. Testes rigorosos foram realizados para ajudar a reduzir o risco de resultados falso-positivos. N\u00e3o houve diferen\u00e7as marcantes na precis\u00e3o do diagn\u00f3stico de esfrega\u00e7os colhidos por profissionais de sa\u00fade e pacientes. Para gonorreia retal, as taxas de detec\u00e7\u00e3o foram de 93% e 98% para as amostras cl\u00ednicas e autocoletadas, respectivamente. As taxas correspondentes para clam\u00eddia retal foram de 96% e 97%. A amostragem para infec\u00e7\u00f5es de garganta tamb\u00e9m teve precis\u00e3o compar\u00e1vel: a amostragem cl\u00ednica detectou com precis\u00e3o 93% da gonorreia e 92% das infec\u00e7\u00f5es por clam\u00eddia, com as taxas de autocoleta sendo de 96% e 94%, respectivamente. Os pesquisadores tamb\u00e9m descobriram que um grande n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es na garganta e no reto n\u00e3o teriam sido detectadas se os testes fossem guiados pelas hist\u00f3rias sexuais fornecidas aos profissionais de sa\u00fade. Nas mulheres, 9% das infec\u00e7\u00f5es por gonorreia e 13% das infec\u00e7\u00f5es por clam\u00eddia ocorreram em indiv\u00edduos sem infec\u00e7\u00e3o genital, enquanto a preval\u00eancia de clam\u00eddia retal foi maior do que a preval\u00eancia de clam\u00eddia genital (17% vs 16%). Os homens gays eram mais propensos a infec\u00e7\u00f5es no reto ou na garganta do que na uretra. Dois ter\u00e7os dos diagn\u00f3sticos de gonorreia e 71% dos casos de clam\u00eddia ocorreram em homens que n\u00e3o tinham infec\u00e7\u00e3o no p\u00eanis. A autocoleta de amostras demorou um pouco mais (em m\u00e9dia quatro minutos) do que a amostragem de profissionais de sa\u00fade (tr\u00eas minutos), mas demonstrou ser mais econ\u00f4mica do que a realizada por m\u00e9dicos. Portanto, os pesquisadores acreditam que suas descobertas t\u00eam implica\u00e7\u00f5es importantes para os formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas e servi\u00e7os de ISTs, mostrando que a autocoleta de amostras para infec\u00e7\u00f5es na garganta e no reto produz resultados altamente precisos. 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