{"id":560,"date":"2022-03-30T10:53:46","date_gmt":"2022-03-30T13:53:46","guid":{"rendered":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/fundolgbtqia\/?p=560"},"modified":"2023-01-17T11:18:11","modified_gmt":"2023-01-17T14:18:11","slug":"a-forca-que-vem-da-mare-centro-de-cidadania-lgbtqia-e-a-historia-de-gilmara-cunha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundopositivo.org.br\/fundolgbtqia\/2022\/03\/30\/a-forca-que-vem-da-mare-centro-de-cidadania-lgbtqia-e-a-historia-de-gilmara-cunha\/","title":{"rendered":"A For\u00e7a que vem da Mar\u00e9: Centro de Cidadania LGBTQIA+ e a hist\u00f3ria de Gilmara Cunha"},"content":{"rendered":"\n
Quem \u00e9 Gilmara Cunha? \u201cA for\u00e7a que vem da Mar\u00e9\u201d<\/p>\n\n\n\n
Moradora do complexo da Mar\u00e9, \u00e9 Fundadora do Grupo Conex\u00e3o G, com mais de 15 anos trabalhando como ativista da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA, ingressou na milit\u00e2ncia em 1999, sempre pensando \u201ca popula\u00e7\u00e3o LGBTIQIA+ favelada e como ela pode vencer as desigualdades e dificuldades, buscando um pa\u00eds mais inclusivo e democr\u00e1tico\u201d. Gilmara Cunha, al\u00e9m de ser uma mulher forte, determinada e muito divertida, \u00e9 estudante de Psicologia, tem 37 anos e foi a primeira mulher trans condecorada com a maior honraria da Assembleia legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que \u00e9 a Medalha Tiradentes.<\/p>\n\n\n\n
O que \u00e9 o Centro de Cidadania LGBTQIA+ da Mar\u00e9 \u2013 \u201cPioneiro na Am\u00e9rica Latina dentro de uma comunidade\u201d<\/p>\n\n\n\n
O centro de Cidadania LGBTQIA Capital III – na Mar\u00e9 foi inaugurado em setembro do ano passado, por\u00e9m, a relev\u00e2ncia desse centro permanece constante. Inaugurado atrav\u00e9s de Parcerias com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH), o centro vem a ser pioneiro em uma comunidade na Am\u00e9rica Latina, no caso, o complexo da Mar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n
O que o centro faz? Qual a import\u00e2ncia dele? – \u201cCentro de Refer\u00eancia e Resist\u00eancia\u201d<\/p>\n\n\n\n
Esse novo centro vem especializado e preparado para proporcionar atendimento psicossocial e atendimento jur\u00eddico das demandas que assim chegarem, oferece ainda cursos de inform\u00e1tica e, aliado a isso, o espa\u00e7o tem mais fun\u00e7\u00f5es: como acolher, informar e at\u00e9 mobilizar as pessoas que ali chegam, al\u00e9m de ser um servi\u00e7o de promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, que tem como miss\u00e3o, para al\u00e9m das j\u00e1 descritas, o enfrentamento da LGBTIfobia e garantia de cidadania ao segmento LGBTQIA+<\/p>\n\n\n\n
Segundo pesquisa da organiza\u00e7\u00e3o de m\u00eddia G\u00eanero e N\u00famero, com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Ford e divulgada pela Funda\u00e7\u00e3o Fundo Brasil em 2018, 51% das pessoas LGBTQIA+ relataram ter sofrido algum tipo de viol\u00eancia motivada pela sua orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero. Entre as viol\u00eancias, 94% foram verbais e outras 13% f\u00edsicas. Os centros nascem para enfrentarem essa situa\u00e7\u00e3o de LGBTfobia que pessoas sofrem todos os dias.<\/p>\n\n\n\n
De acordo com a Transgender Europe (2022), o Brasil ainda se encontra no primeiro lugar do ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, esse posto vem sendo ocupado pelo Brasil desde 2008, ficando tamb\u00e9m em primeiro lugar pelo d\u00e9cimo terceiro ano consecutivo . Esse dado vem ao encontro com os estudos realizados pelo Grupo Gay da Bahia, o qual evidencia que no bin\u00f4mio 2020-2021, foram assassinadas 444 pessoas LGBTQIA notificadas, colocando o Brasil em primeiro lugar no topo de assassinatos desse segmento. Cabe evidenciar ainda que apesar de os assassinatos para outros os segmentos LGBQIA terem diminu\u00eddo, para as pessoas trans ele aumentou na pandemia do Covid-19 conforme o \u201cDossi\u00ea sobre assassinatos de transexuais e travestis brasileiras\u201d da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), revelando que somente em 2021, 140 pessoas trans foram assassinadas e que se comparadas as mortes notificadas desde 2008, houve um aumento de 141%.<\/p>\n\n\n\n
Esta realidade desigual, preconceituosa e cruel, motivou a moradora e ativista da Mar\u00e9, Gilmara Cunha, a trabalhar pela funda\u00e7\u00e3o do primeiro Centro de Promo\u00e7\u00e3o de Cidadania LGBT dentro de uma favela, mais especificamente no Complexo da Mar\u00e9, Zona Norte do Rio de Janeiro, o qual tamb\u00e9m leva seu nome (como uma homenagem) e como ela mesma ressalta: \u201cAs travestis t\u00eam que ser homenageadas em vida como uma forma de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d.<\/p>\n\n\n\n
Gilmara ainda ressalta que todos os financiadores tiveram participa\u00e7\u00e3o nessa conquista, principalmente os que est\u00e3o junto ao Conex\u00e3o G, e a\u00ed est\u00e1 o Fundo Positivo, que fomenta atrav\u00e9s dos editais e recursos a continuidade desse trabalho, isso corrobora com os resultados desse trabalho. A parceria do Fundo Positivo, segundo ela, esteve presente em dois momentos na quest\u00e3o primeiramente do advocacy e na incid\u00eancia pol\u00edtica e num segundo momento quando incidiu diretamente na vida daqueles e daquelas que diretamente foram beneficiadas pelo projeto, inclusive na quest\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n
Projeto cozinha trans e como o Financiamento do Fundo Positivo est\u00e1 ajudando? \u2013 \u201cN\u00e3o apenas se cozinha, se politiza tamb\u00e9m!\u201d<\/p>\n\n\n\n
Com o grupo Conex\u00e3o G de favelas, Gilmara tem um potente e importante projeto na Mar\u00e9, Intitulado \u201cCozinha Trans\u201d, o qual oferece cursos de gera\u00e7\u00e3o de renda, empregabilidade, empreendedorismo e autocuidado para pessoas trans das favelas, possibilitando inclusive a inser\u00e7\u00e3o dessas pessoas no mercado formal de trabalho. O \u201cCozinha trans n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 botar as pessoas trans para cozinhar, ali tem uma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, uma forma\u00e7\u00e3o de empoderamento desses corpos\u201d como ressalta Gilmara. Al\u00e9m do curso de cozinha haver\u00e1 ainda uma feira onde v\u00e1rias empresas ser\u00e3o convidadas para ver o trabalho do grupo e formar parcerias.<\/p>\n\n\n\n
O projeto recebe financiamento do Fundo Positivo e a Coordenadora ressalta que o apoio do Fundo Positivo n\u00e3o foi apenas neste momento, mas que o Fundo participa na constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica desses resultados que vem sendo constru\u00eddos. \u201cEsse Fundo n\u00e3o \u00e9 apenas um que se diz diverso e que coloca a pessoa como cota, ele d\u00e1 oportunidades \u00e0s pessoas\u201d.<\/p>\n\n\n\n
O tempero da \u201cCozinha Trans\u201d foi t\u00e3o bom que foram convidadas para estar em um jantar beneficente no Copacabana Palace O jantar contou a presen\u00e7a de Melissa Cohen, nora do presidente dos EUA, Joe Biden, Narcisa Tamborindeguy a ex-BBB e influencer digital Rafa Kaliman. \u201cElas passavam s\u00f3 por fora do espa\u00e7o, no m\u00e1ximo na porta, mas agora elas puderem estar dentro e como convidadas\u201d<\/p>\n\n\n\n
Conhe\u00e7a um pouco mais do trabalho de Gilmara e do Conex\u00e3o G no instagram!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"
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