A Área Programática do Fundo Positivo esteve presente em diferentes sessões da IAS 2026, acompanhando de perto discussões que apontam para uma mudança importante no campo da prevenção e do tratamento do HIV, impulsionada por novas tecnologias em desenvolvimento.
O que se observa a partir das evidências apresentadas é uma transição consistente para estratégias mais simples, com menor frequência de uso e maior potencial de autonomia para as pessoas. A perspectiva é de tratamentos e profilaxias cada vez mais duradouros, reduzindo a necessidade de adesão diária e ampliando a qualidade de vida.
Entre as inovações em destaque, está o alimatravir (MK-8527), estudado como uma possível PrEP oral de uso mensal. Se os resultados dos ensaios clínicos confirmarem sua eficácia e segurança, ele poderá representar uma mudança significativa no modelo atual, substituindo a tomada diária por uma única dose ao mês.
Também ganharam atenção as pesquisas voltadas para a PEP de longa duração, que buscam alternativas capazes de simplificar o esquema pós-exposição. Algumas dessas abordagens ainda estão em fase inicial, mas já indicam a possibilidade de reduzir o número de doses necessárias e, no futuro, até mesmo de uma aplicação única, dependendo da evolução dos estudos e das aprovações regulatórias.
Outro avanço promissor discutido na conferência envolve os implantes de liberação prolongada, projetados para manter níveis estáveis de medicamento no organismo por vários meses. Em determinados estudos, há inclusive a perspectiva de proteção que pode chegar a um ano, o que representa um potencial importante para ampliar o acesso a métodos mais práticos e menos dependentes de intervenções frequentes.
Os Métodos Multipropósito de Prevenção (MPTs) também se destacaram como uma área em expansão. Essas tecnologias combinam, em um único produto, a prevenção do HIV e da gravidez não planejada. Entre as inovações apresentadas, chamou atenção um anel vaginal desenvolvido por impressão 3D, capaz de liberar substâncias de forma contínua e integrar diferentes princípios ativos em um mesmo dispositivo, ampliando as possibilidades de prevenção personalizada.
De forma geral, a IAS 2026 reforçou uma tendência clara: a redução progressiva da dependência de regimes diários, tanto na prevenção quanto no tratamento do HIV. O futuro aponta para esquemas de longa duração, com aplicações periódicas e menor carga de comprimidos ao longo do ano.
Apesar do entusiasmo com os avanços científicos, os debates também destacaram que essas tecnologias ainda estão em fase de pesquisa e precisam avançar em termos de validação clínica e regulação. Além disso, será essencial garantir que cheguem aos sistemas de saúde de maneira equitativa, acessível e sustentável, especialmente para as populações mais vulnerabilizadas.
A participação do Fundo Positivo reafirma o compromisso da organização em acompanhar de perto as inovações científicas e contribuir para que o conhecimento produzido se traduza em políticas públicas, acesso real e fortalecimento dos direitos das pessoas que vivem e convivem com o HIV.




























